Achei este texto muito interessante e decidi postá-lo!
por Cláudia Gelernter - claudiagelernter@uol.com.br
"O ciúme traduz o sentimento de propriedade, ao passo que a inveja mostra o instinto de roubo."
(Autor desconhecido)
Conta uma antiga lenda que, numa linda manhã de primavera, uma fada encantada visitou um rapaz de uma pequena comunidade oferecendo ao felizardo um único desejo. Poderia pedir qualquer coisa e ela o atenderia. Entretanto deveria estar ciente de que o que escolhesse para si, o seu vizinho, que residia na casa mais próxima à sua, receberia em dobro. Ou seja: se desejasse riqueza, aquele que morava ao lado estaria duplamente rico. Se quisesse muita saúde, provavelmente o outro viveria o dobro de tempo. E por aí vai.
Para espanto da bondosa fada, o rapaz nem precisou pensar muito: pediu à doce senhora que lhe arrancasse um dos olhos. Com isso, o desafortunado vizinho ficaria completamente cego.
“Ótimo, pois em terra de cegos, quem tem um olho é rei!” - analisou o malvado.
Tal estória ilustra PERFEITAMENTE o modo de agir do invejoso:
Para ele não importa sequer o quanto sairá perdendo com seu sentimento, com suas investidas, desde que o objeto de sua cobiça saia profundamente prejudicado.
No advento da inveja, o outro possui algo que é preciso lhe seja tirado. “Por que não tenho... se ele tem?”
– tal pergunta ronda sua mente com muita freqüência. É como um fantasma que não se afasta do assombrado, atormentando-o dia e noite...
Vale citar que, no caso do invejoso, o sofrimento é praticamente imediato.
Torna-se insuportável para ele a felicidade do outro, mesmo que este outro, na verdade, nem seja assim tão feliz...
Outro aspecto curioso do invejoso é que ele sequer admite sentir inveja.
Ninguém admite ser invejoso, mesmo que já tenha criado úlceras pépticas de tanto pensar numa maneira de tirar o que deseja de seu desavisado oponente. Isso porque, curiosamente, até o invejoso acha monstruoso sentir inveja. Entretanto, se consegue esconder dos outros, não o pode fazer com relação à própria consciência que um dia despertará, dolorida.
Já dizia o autor do livro “Mal secreto – inveja”, o consagrado jornalista e professor universitário Zuenir Ventura, que:
"O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde."
Já o ciumento, diferentemente do invejoso, não deseja tirar algo do outro, mas pensa que o outro lhe pertence.
Vive uma vida febril, doente, desesperada. Não consegue ter paz nem por um instante, imaginando com quem o outro estará conversando, o que estará fazendo, se lhe prefere aos demais, etc. Não apenas sua vida é doentia como arrasta o seu eleito ao desespero, perseguindo-o abertamente, cobrando satisfações, atacando-o, impiedosamente.
O primeiro deseja algo que não lhe pertence. O outro quer algo que ‘acha’ que é seu.
Se por um lado é preciso prevenir as pessoas que apresentam tais comportamentos patológicos quanto à necessidade de tratamento e mudança no caráter (reforma íntima), também se faz necessário estar atento para não ser objeto da perseguição deles.
Logicamente não precisamos sair pelas ruas envolvidos em trapos, tampouco esconder do mundo toda nossa inteligência, cordialidade e beleza:
existem pessoas-morcego que se enroscam no pescoço de qualquer um, inclusive dos menos privilegiados.
Entretanto, caro leitor, pautar a própria existência sob as bases do exibicionismo é atrair para si os holofotes dos invejosos e, infelizmente, estar aberto aos ataques, que podem ser, inclusive, energéticos.
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